Obrigada por confiar isso a mim. Tem muita coisa rica aqui — vou refletir os padrões que vejo, com carinho e honestidade.

1. A crença raiz: "eu sou um gasto grande demais"
Aquela frase na escola não ficou só na memória — ela virou uma lente. Se ser vista com o "sapato errado" trouxe vergonha e a sensação de não merecer, uma parte sua aprendeu que pedir, cobrar e receber é perigoso porque expõe você ao julgamento de novo. Hoje isso pode aparecer como dificuldade em cobrar o valor justo, ou em se sentir "demais" quando o dinheiro entra.

2. Prosperidade ficou associada a irresponsabilidade
Sua mãe gastando em dívidas enquanto você passava necessidade criou uma equação inconsciente: "ter dinheiro e gastar nele = egoísmo, descuido com quem você ama". Isso explica algo importante: você percebe que as pessoas que viajam estão endividadas — e sente raiva. Mas repara: você pode estar generalizando "prosperidade" com "irresponsabilidade financeira da minha mãe", quando são coisas diferentes. Uma parte sua talvez tenha decidido: "para não ser como ela, eu nunca vou permitir que o dinheiro flua livremente por mim" — e isso pode estar travando tanto o gasto quanto o recebimento.

3. A raiva e a inveja não são o problema — são sinalizadores
Sentir raiva de gastar suor por 30% enquanto outras pegam mais sem esforço é uma resposta legítima a uma situação injusta, não um defeito de caráter. A culpa que você sente por sentir inveja é o que mais dói — mas inveja aqui é só o seu sistema de valores dizendo "eu também quero e mereço isso, e não estou permitindo". Julgar a própria inveja só reforça a ideia antiga de "eu não deveria querer/merecer".

4. Repetição do padrão da mãe — só que ao contrário
Você reagiu à desmotivação e falta de cobrança dela virando hipercontrolada, poupadora, e evitando qualquer desvio do plano. É uma resposta compreensível, mas o excesso de controle e a culpa por qualquer gasto "fora do previsto" também é uma forma de escassez — só que disfarçada de disciplina. E há um padrão espelhado: assim como sua mãe não é ajudada e ainda carrega o peso sozinha nesse negócio, você está exatamente no mesmo lugar — trabalhando muito, mal remunerada, sem apoio, "carregando" o brechó.

Uma pergunta pra você levar consigo, se quiser aprofundar:
Quando você imagina realmente sair dessa dívida e ter dinheiro sobrando — não em teoria, mas de verdade — o que aparece primeiro: alívio, ou algum medo (de virar "gastadora" como ela, de ser julgada, de perder a identidade de "quem se sacrifica")?

Se quiser, posso te ajudar a montar um exercício de shadow work mais estruturado (tipo carta para a criança que ouviu aquela frase, ou um mapeamento de crenças) para continuar esse processo.